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| | Publicado por: Juliana Campos Maciel
em 21 de Ago de 2011 14:55 | Casarão em Pompéu homenageia "Dama do Sertão" Imóvel reconstruído nos moldes do original, datado de 1871, vai abrigar centro cultural com espaço para palestras e exposições
Gustavo Werneck - Publicação:19/08/2011 06:00 Atualização:19/08/2011 06:29  | | | Obras do prédio demoraram quase dois anos e, agora, moradores terão mais um espaço para a cultura |
Pompéu – A história de uma das mulheres mais influentes das Gerais, na segunda metade do século 18 e início do 19, ganha, amanhã, um marco para se manter viva e se tornar mais conhecida pelos brasileiros, além de valorizar a Região Centro-Oeste do estado. Com uma festa na cidade localizada a 181quilômetros de Belo Horizonte, será inaugurada às 17h o Centro Cultural Dona Joaquina do Pompéu, misto de museu, anfiteatro e área administrativa, que guarda objetos pertencentes à chamada Dama do Sertão, batizada Joaquina Bernarda da Silva de Abreu Castelo Branco Souto Mayor de Oliveira Campos (1752-1824). Conforme as pesquisas, a mineira natural de Mariana era valente, empreendedora e grande criadora de gado, destacando-se pelo fornecimento de alimentos para a corte portuguesa tão logo dom João VI (1767-1826) desembarcou no Rio de Janeiro em 8 de março de 1808.
O casarão de dois pavimentos e pintado de azul e branco, que a partir de agora vai abrigar a memória e se tornar referência cultural em Pompéu, está reluzindo de tão novo, principalmente nestes dias claros e ensolarados. Mas se engana quem imaginar a construção como simples cópia das propriedades rurais coloniais. Nada disso. Ela data de 1871 e foi erguida pelo bisneto de dona Joaquina Antônio Cândido de Campos Cordeiro nas terras da antepassada ilustre – a Fazenda do Laranjo, perto do Rio Paraopeba. O prédio com 18 janelas e cercado de varandas, ainda sem tombamento municipal, esteve prestes a desaparecer do mapa devido à construção de uma represa para a Usina Hidrelétrica de Retiro Baixo.
O patrimônio foi salvo da destruição e de ficar sob as águas graças a um acordo judicial firmado em 2008, dentro de ação civil pública proposta pelo Ministério Público Estadual (MPE) com um consórcio formado pelas empresas Orteng e Arcadis Logo, que se comprometeram a desmontar toda a fazenda, então a 60 quilômetros do Centro de Pompéu, e reconstruí-la, tal como era, externa e internamente, na cidade. A operação foi toda bancada pelo consórcio e custou R$ 2,3 milhões, ficando o complexo cultural no domínio da prefeitura local. “Hoje ela poderia estar a seis metros de profundidade”, ressalta o diretor do centro cultural, vinculado à Secretaria Municipal de Cultura e Desportos, Hugo de Castro, um dos 80 mil descendentes de dona Joaquina espalhados Brasil afora e documentados em livro. O cumprimento do acordo foi acompanhado pela Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC/MG).  | | | Dentro do centro serão expostos objetos como o oratório diante do qual dona Joaquina rezava |
Durante toda a semana, o movimento foi intenso no centro cultural, circundado por piso de pedras originais, o lajeado, amplo gramado no fundo, com mudas de aroeira, cedro e jequitibá, e um anfiteatro construído com a madeira do curral da fazenda primitiva. “Acreditamos que este local será um divisor de águas na cultura de Pompéu, com atividades para os moradores, palestras, exposições e divulgação da nossa história”, conta Castro. No interior do casarão, foi mantida, aparente, uma parede de pau a pique para os visitantes terem ideia do sistema construtivo do século 19, uma escada, bem como vigas, barrotes e outras peças de madeira centenárias. Espadas e bengalas
Dentro das normas de acessibilidade e contando até com elevador, o casarão vai abrigar o Museu da Cidade, incluindo mobiliário, objetos domésticos, cálice, fotografias, bengala com cabo de bronze, espadas do filho e neto da matriarca, oratórios diante dos quais dona Joaquina rezou e outros pequenos tesouros. No período de obras de transferência da fazenda, com duração de menos de dois anos, foi feito também um trabalho de escavação no terreno da antiga fazenda. O resultado está em vitrines contendo fragmentos de porcelana, e ainda ferramentas, ferraduras, fivelas de cintos, tesouras etc. Na varanda da frente, chama a atenção um banco de sete metros de comprimento, réplica em ipê do existente em outra propriedade rural de dona Joaquina. “A comunidade teve grande participação na montagem do acervo. Recebemos muitas doações, como os oratórios, e empréstimos de peças”, conta o diretor com orgulho. Ele explica que o primeiro andar do prédio será espaço de exposições, complementado pelo charme de um café. Já o segundo pavimento será dedicado à memória da matriarca, que tem a vida ainda envolta em lendas e números superlativos, já que seria dona de cerca de 1 mil escravos e de terras do tamanho da Holanda, Bélgica e Luxemburgo. “Esta será também uma ótima oportunidade para que a vida de dona Joaquina, que terá comemorados, em 2012, 260 anos de nascimento, seja estudada a fundo”, espera o diretor. Hugo adianta que até o fim do ano o conjunto será oficialmente tombado. A cerimônia de inauguração contará com a presença de dom Bertrand de Orleans e Bragança, segundo na linha de sucessão do trono brasileiro, e autoridades. Pés em dois mundos
 | | | Quadro de Yara Tupynambá retrata dona Joaquina com um pé calçado e outro descalço |
No salão nobre da Câmara Municipal de Pompéu, há um quadro de autoria de Yara Tupynambá, de 1998, que retrata a figura empreendedora e determinada de dona Joaquina do Pompéu. O curioso é que ela está com os pés em dois mundos: um calçado, que simbolizaria as suas ligações com a corte, e outro descalço, mostrando ser uma legítima “dama do sertão”. Joaquina Bernarda era filha do português Jorge de Abreu Castello Branco , que, depois de ficar viúvo, se ordenou padre. Em 1736, a família se mudou para Pitangui, na Região Centro-Oeste, onde a menina Joaquina, de 12 anos, se casou com o capitão Inácio de Oliveira Campos, neto do bandeirante Antônio Rodrigues Velho, conhecido como Velho da Taipa. O casal foi morar na Fazenda de Nossa Senhora da Conceição, que pertencera a Antônio Pompeu Taques, primeiro morador da região – o nome da cidade é uma homenagem a ele. Conforme pesquisas, ela teria um patrimônio de “1 milhão de alqueires de terra, 56.932 cabeças de gado, 2.411 juntas de bois carreiros, cerca de 10 mil cavalos e mais de 1 mil escravos”. A sanha empreendedora teria aflorado com a doença do marido, que ficara paralítico, obrigando-a a ficar à frente dos negócios. Além da remessa de 200 cabeças de gado para a corte, ela doou animais para alimentar as tropas na batalha da Independência (1822). Está sepultada em Pompéu. | |
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em 15 de Jun de 2011 08:04 | SÃO MAMEDE Foi aqui que nasceu Portugal!
A Batalha de São Mamede foi uma batalha travada a 24 de Junho de 1128, entre Dom Afonso Henriques e as tropas de sua mãe, D. Teresa e do conde galego Fernão Peres de Trava, que se tentava apoderar do governo do Condado Portucalense. As duas facções confrontaram-se no campo de São Mamede, perto de Guimarães.
Com a derrota, D. Teresa e Fernão Peres abandonaram o governo condal, que ficaria agora nas mãos do infante e seus partidários, desagradando o bispo de Santiago de Compostela, Diogo Gelmires, que cobiçava o domínio das terras. D. Teresa desistia assim das ambições de ser senhora de Portugal.
Existem rumores não confirmados que ela tenha sido aprisionada no Castelo de Lanhoso. Há até quem relate as maldições que D. Teresa pregou ao seu filho D. Afonso Henriques.
A batalha de S. Mamede tem sido considerada o marco essencial da Fundação de Portugal, na medida em que com ela se iniciou a definição do território que hoje é Portugal. O local da batalha é-nos dado pela Crónica dos Godos: “Commisit prelium in campo Sancti Mametis quod est prope castellum de Vimaranes et contriti sunt” (inimici)
O texto revela-nos que não se tratou de um mero torneio, uma vez que a referida Crónica, muito próxima dos acontecimentos, fala em batalha (“prelium”) e que os inimigos foram esmagados (contriti).
A Crónica dos Godos diz-nos também que “D. Afonso Henriques travou com eles, indignos e estrangeiros da nação, combate no Campo de S. Mamede, próximo do castelo de Guimarães (prope castellum), venceu-os e prendeu-os na sua fuga”.
Ao contrário do que refere uma placa colocada no lugar de Ataca, o primeiro recontro não ocorreu neste local, mas sim na veiga de Creixomil, na entrada de Guimarães para quem procede dos lados do Porto, conclusão que se retira dos seguintes factos:
1 – As tropas de Fernão Peres e os cavaleiros fiéis a D. Teresa, vindos das regiões de Coimbra e Viseu, atravessaram o Douro e dirigiram-se a Guimarães onde se encontrava D. Afonso Henriques. Daí que a entrada dessas tropas em Guimarães se fizesse pela denominada estrada real, que corre paralelamente ao rio Selho até à chamada Ponte da Pisca.
2 – Na entrada da Veiga de Creixomil, para quem procede dos lados do Porto, encontra-se o lugar de “Reboto”, topónimo que significa “perda de energia, perder o gume (de instrumento cortante), derrota.” Ou, em termos de lenda popular local, a água do Rio Selho (chamado também Reboto nesse local) turbada com o sangue proveniente dos soldados caídos na batalha.
3- Próximo do lugar de Reboto existe o lugar do Outeiro, situado numa pequena colina que poderia ter servido, presumivelmente, de posto de vigia, com largo alcance visual sobre toda aquela zona.
4 – Duarte Galvão (1446?-1517) situa o recontro no lugar de Santidanhas (ou Santilhanas na crónica impressa) que Fernão Lopes chama “Sam Redanhos”, colocando-o a meia légua de distância de Guimarães. Essa distância contada desde o Castelo até a esse lugar é, sensivelmente, a distância dessa meia légua a que se reportam os referidos cronistas.
5 – O historiador José Hermano Saraiva defende que “Sam Redanhas” é um castelhanismo que significa “acto de bravura/feito corajoso e que estará ligado ao inicio da Batalha de S. Mamede, ao primeiro recontro, precisamente nesse local.
6 -O nome “Sam Redanhas” mais que um topónimo é uma qualificação do facto, ocorrido em toda a zona onde se travou esse primeiro recontro. 7º- A zona onde se encontra o lugar de Ataca é extremamente acidentado para servir de 1º recontro a uma batalha medieval, sabendo-se para mais que a sua escolha dependia exclusivamente da vontade dos atacantes e não das tropas de D. Afonso Henriques.
Esse primeiro recontro inicialmente não teria corrido bem ao jovem Afonso Henriques, razão pela qual teve que recuar para junto do Castelo (prope castellum), tendo então aí derrotado definitivamente as tropas “inimigas”. Depois aconteceu a sua fuga, conforme nos diz a Crónica dos Godos, muito próxima dos factos: “D. Afonso Henriques venceu-os e prendeu-os na sua fuga”.
Então, a captura ocorreu no lugar de Ataca, quando as tropas derrotadas iniciaram a fuga em direcção à Póvoa de Lanhoso, onde deveria estar D. Teresa. O termo “Ataca”, no contexto militar, significa “captura”. Recorde-se a palavra “atacador” (dos sapatos) que tem precisamento o sentido de “envolvência”, de “atar”, de “fechar”.
Deste modo, o prélio de 24 de Junho de 1128, travado no triângulo formado pela veiga de Creixomil, campo de S. Mamede e Ataca, em que se enfrentaram as hostes de D. Teresa com as do infante Afonso Henriques, seu filho, pôs praticamente termo ao dissídio entre as duas facções rivais com a vitória do infante e a sua investidura no governo da terra Portucalense.
DOM AFONSO HENRIQUES D. Afonso I de Portugal, mais conhecido por Dom Afonso Henriques (Guimarães ou Viseu, 1109 (?) — Coimbra, 6 de Dezembro de 1185) foi o primeiro rei de Portugal, cognominado O Conquistador, O Fundador ou O Grande pela fundação do reino e pelas muitas conquistas.
Era filho de D. Henrique de Borgonha e de D. Teresa de Leão, condes de Portucale, um condado dependente do Reino de Leão.
Após a morte de seu pai, Afonso tomou uma posição política oposta à da mãe, que se aliara ao nobre galego Fernão Peres de Trava. Pretendendo assegurar o domínio do condado armou-se cavaleiro e após vencer a batalha de São Mamede em 1128, assumiu o governo. Concentrou então os esforços em obter o reconhecimento como reino.
Em 1139, depois da vitória na batalha de Ourique contra um contingente mouro, D. Afonso Henriques proclamou-se rei de Portugal com o apoio das suas tropas. A independência portuguesa foi reconhecida em 1143 pelo tratado de Zamora.
Com a pacificação interna, prosseguiu as conquistas aos mouros, empurrando as fronteiras para sul, desde Leiria ao Alentejo, mais que duplicando o território que herdara. Os muçulmanos, em sinal de respeito, chamaram-lhe Ibn-Arrik («filho de Henrique», tradução literal do patronímico Henriques) ou El-Bortukali («o Português»). | |
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em 1 de Jun de 2011 07:03 | http://www.nggenealogia.com.br/
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em 30 de Maio de 2011 11:25 | «Biblioteca Genealógica de Lisboa» Biblioteca Genealógica de Lisboa A Biblioteca abriu as suas portas ao público no dia 12 de Junho de 2006 tendo como principal objectivo disponibilizar ao crescente número de interessados na Genealogia as obras de referência. Mas não pretende ser um simples depósito de obras para consulta. É também seu objectivo, constituir-se como um novo instrumento de auxilio para os investigadores, através da base de dados do site.
Site
Na base de dados da BGL estão identificadas e pesquisáveis, por tema, título ou autor, não só todas as obras que constituem o acervo da BGL (disponíveis) mas também milhares de outras que possam ser consultadas noutras bibliotecas (pesquisáveis). Esta base de dados permite também pesquisar, por nome próprio ou por apelido familiar, as obras que os refiram, constituindo-se assim como um instrumento bibliográfico de referência na área da Genealogia.
Autores
Nesta área, procurar-se-á elencar todas as obras publicadas, escritas, dirigidas ou coordenadas por autor, enriquecendo essa informação, sempre que possivel, com dados biográficos e genealógicos.
Famílias e Pessoas
Para cada família ou apelido, indicar-se-ão os títulos de obras, volumes e páginas onde determinado Apelido ou Família seja tratada em trabalhos publicados, sejam livros, revistas ou artigos. O mesmo princípio se aplicará a nomes de Pessoas, Cargos e Títulos, Casas, Locais e Instituições.
Noticias Neste secção será disponbilizada a lista das novas incorporações da BGL, seja por oferta, seja por compra, e procurar-se-á ir dando conta de noticias que sejam do interesse para os genealogistas.
Actividades
A actividade mais visível desenvolvida na Biblioteca Genealógica de Lisboa é seguramente a manutenção diária do Portal de Genealogia Geneall, sendo o acervo da Biblioteca a fonte fundamental dos dados disponbilizados no portal. Outras iniciativas estão previstas e delas se dará conta na página das notícias.
Acesso
Situada na Calçada Marquês de Abrantes, nome emblemático da Genealogia portuguesa, pelo labor de D. Luis Gonzaga de Lancastre e Tavora, 10º marquês de Abrantes, a Biblioteca é privada, dispõe de 8 lugares para consulta e o acesso é livre. In: http://www.bgl.org.pt/ Nota do Blogue: Desconhecia a existência desta biblioteca. Possui mais de 10000 obras, algumas das quais raras e muito úteis para aqueles que se dedicam ao estudo da genealogia. Biblioteca Genealógica de Lisboa Cç. Marquês de Abrantes, 102 1200-720 Lisboa Tel.: 213976311 Fax : 213976312 Horário:De 2ª a 6ª, das 14h00 às 18h00 Últimas 5ªs-feiras do mês, até às 24h00 Publicada por Paulo Campos em 10:06 Enviar a mensagem por e-mail Dê a sua opinião! Partilhar no Twitter Partilhar no Facebook Partilhar no Google Buzz
Etiquetas: Genealogia
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em 25 de Maio de 2011 04:30 | www.rbhcs.com ISSN: 2175-3423 Acadêmico 1 Dona Joaquina do Pompéu: contribuições para o abastecimento da América portuguesa (1764–1824).
Laizeline Aragão de Oliveira1
Resumo: Este trabalho tem como objetivo estudar o abastecimento da capitania de Minas Gerais, no século XVIII, por meio da atuação de dona Joaquina do Pompéu. Para tanto, buscou-se demonstrar o universo feminino a fim de contextualizar a sociedade na qual vivia a matriarca. A economia dos setecentos foi outro ponto analisado com o intuito de possibilitar um amplo entendimento do funcionamento do comércio e abastecimento colonial, e assim introduzir nesse cenário a discussão sobre as relações econômicas, comerciais e políticas protagonizadas por dona Joaquina do Pompéu. Palavras-chaves: Dona Joaquina do Pompéu; Mulher; Economia colonial; Minas Setecentistas.
O ponto de partida que deu origem a este artigo centra-se em uma preocupação em demonstrar a participação feminina na produção e comércio de gêneros variados na América Portuguesa. Para a realização de tal reflexão buscou-se na figura de dona Joaquina do Pompéu, o objeto de análise, pois rompendo o padrão da sociedade patriarcal luso-brasileira, se destacou por acumular riquezas e poder, em decorrência das suas atividades como fazendeira e comerciante. As reflexões e análises foram construídas por meio de ampla pesquisa bibliográfica sobre a produção e comercialização de gêneros variados nos setecentos, o papel social das mulheres neste período, a vida de dona Joaquina do Pompéu, entre outras obras. Utilizou-se também a análise de documentos referentes à matriarca disponíveis no Arquivo Público Mineiro/APM (Belo Horizonte-MG) 2 . Nascida em 20 de agosto de 1752 no Arraial do Ribeirão do Carmo (atual cidade de Mariana, MG), Joaquina Bernarda da Silva de Abreu Castelo Branco era filha de Jorge de Abreu Castelo Branco e Jacinta Teresa da Silva. Em decorrência do falecimento de Jacinta a família mudou-se em 1762 para a Vila de Pitangui. Nesta vila, Joaquina casou-se com o Capitão Inácio de Oliveira Campos3 em 20 de agosto de 1764. Após o casamento arrendaram uma fazenda, chamada Lavapés, próxima à vila, e juntos começaram a construir
1 Graduada em História pelo Centro Universitário UNA, em Belo Horizonte – MG. 2 O acervo está organizado como: Arquivo Público Mineiro, Fundo Joaquina Bernarda do Pompéu [APM. FJBP 1. Cx. 01-04] 3 Inácio de Oliveira Campos era Comandante da Companhia de Ordenanças, parte da Milícia dos Dragões das Minas Gerais. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais Volume 1 - Número 2 - Dezembro de 2009 www.rbhcs.com ISSN: 2175-3423 Acadêmico 2 um imenso patrimônio. Por Inácio ser Capitão-Mor da Guarda4 , freqüentemente passava longos períodos longe da fazenda, o que contribuiu para que dona Joaquina, desde o início do casamento, tivesse que se dedicar aos negócios, gerenciando e administrando tanto a vida doméstica – com seus 10 filhos –, quanto às responsabilidades da fazenda. Inicialmente sob o comando do capitão e com a ajuda de dona Joaquina, e posteriormente sob o comando da matriarca, a fazenda do Lavapés, onde o casal morava, cresceu de forma vertiginosa. A expansão das atividades tornou necessária a aquisição de uma propriedade maior. Ao buscarem novas terras para comprar, receberam proposta do fazendeiro Manoel Gomes da Cruz que ofereceu as terras da Fazenda do Pompéu. O negócio se concretizou em 1784, quando a família passou a residir nas ditas terras. A fazenda já possuía uma pequena criação de gado, que foi ampliada pelos novos moradores. Além disso, investiram em plantações e na criação de eqüinos. É neste ponto da história da matriarca que seu nome ficará conhecido na capitania de Minas, já que ela será uma dos potentados comerciantes responsável pelo abastecimento de gêneros alimentícios das vilas. E, foi quando se mudou para esta localidade que ganhou o apelido de “Joaquina do Pompéu”, uma referência ao local onde estava a importante propriedade. Sabe-se que na fazenda do Lavapés o casal possuía, além da criação de gado, lavouras de milho e feijão. Quando se mudaram para o Pompéu, além dos produtos mencionados, o casal possuía plantações de arroz, café, verduras, legumes e árvores frutíferas variadas. Em 1804, havia na fazenda um centro de criação e engorda de gado, e o engenho fabricava açúcar e cachaça. Demonstrando a sua perspicácia administrativa, dona Joaquina mandou fazer plantações de algodão e mantinha um imenso rebanho de ovelhas, utilizados para a produção de roupas para a escravaria. Percebe-se que suas fazendas eram, em grande medida, auto-suficientes, e também um importante núcleo fornecedor de produtos para o abastecimento da Vila de Pitangui e circunvizinhança, bem como de outras regiões da capitania. Todo esse comércio favorecia cada vez mais sua visibilidade social e a ampliação de sua rede comercial. Informações contidas no inventário da matriarca evidenciam a dimensão de sua fortuna à época do seu falecimento. Suas posses territoriais abrangiam diversos municípios como Pitangui, Paracatu, Abaeté, entre outros. As cabeças de gado espalhadas pelas fazendas ultrapassavam as 20 mil cabeças; aproximadamente mil eqüinos; cerca de uma centena de escravos avaliados, em média, a 150 mil réis cada5 . Havia uma grande
4 Capitão-mor: Nos regimentos de infantaria, ou cavalaria, o capitão-mor era a patente abaixo do posto de sargento-mor. Os Capitães-mores eram responsáveis por manter a ordem nas vilas e sair em busca e captura de escravos fugidos e bandidos. 5 RIBEIRO; GUIMARÃES, 1956. CAMPOS, 2003. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais Volume 1 - Número 2 - Dezembro de 2009 www.rbhcs.com ISSN: 2175-3423 Acadêmico 3 quantidade de imóveis, prataria, ouro em barra, móveis, veículos de transporte, títulos de dívidas de fazendeiros vizinhos e outros bens que podiam nos dias atuais, chegar a um valor aproximado de 2 bilhões de reais (NORONHA, 2007: 56). Ao se propor uma análise da atividade produtiva e comercial sob a perspectiva da atuação de dona Joaquina do Pompéu, ressalta-se a abordagem da historiografia brasileira referente às questões da produção rural e sua comercialização. Neste sentido, várias pesquisas vêm sendo realizadas desde os anos 1970 com o intuito de demonstrar a existência destas atividades econômicas paralelas à mineração. Alguns historiadores como Celso Furtado (1974), Caio Prado Jr. (1979) e Fernando Novais (1989) 6 , afirmam a insignificância de uma economia colonial forte, voltada para o mercado interno. Para eles a economia colonial era basicamente exportadora, fosse a mineração ou a agricultura, e, se havia um mercado interno, este era pouco significativo no ambiente urbano, e no ambiente rural ele não existia, já que as populações rurais eram auto-suficientes. Segundo os autores, havia uma ausência de mercado interno na colônia, uma vez que a prioridade era a agroexportação, e existia uma economia de subsistência que atendia as necessidades básicas dos colonos. Outras abordagens sobre a economia da América Portuguesa, como os trabalhos de Ciro Flamarion Cardoso (1979) e Jacob Gorender (1988), apontam para a existência de um mercado interno capaz de movimentar a economia colonial, ainda que timidamente. Apesar de suas análises seguirem caminhos diferentes, tanto Cardoso quanto Gorender compartilham da idéia da existência de um mercado interno no Brasil. Eles destacam que a sociedade colonial brasileira se organizou de tal maneira que sua economia criou estruturas internas bastante particulares, possibilitando a existência interna de um mercado. Merece destaque a discussão de Gorender (1988) sobre a inviabilidade da economia colonial em manter toda uma população escrava com produtos importados. Ele considera que este seja um dos aspectos que demonstram claramente a existência de uma economia agrária voltada para o mercado interno a fim de suprir as necessidades básicas de consumo. Percebe-se que a existência de um mercado capaz de abastecer de gêneros as regiões mineradoras é de suma importância, uma vez que os homens que se deslocaram para as áreas auríferas em busca de pedras e metais preciosos, não estavam preocupados em organizar roças, estabelecer vendas e afins, eles queriam encontrar o ouro e enriquecer. E esta necessidade de abastecer as zonas mineradoras permitiu a formação de um
6 FURTADO, C. Formação econômica do Brasil. SP: Nacional, 1974; PRADO JR, C. Formação do Brasil Contemporâneo. SP: Brasiliense, 1979; PRADO JR, C. História econômica do Brasil. SP: Brasiliense, 1978; NOVAIS, F. Portugal e o Brasil na crise do antigo sistema colonial. SP: Huicitec, 1989. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais Volume 1 - Número 2 - Dezembro de 2009 www.rbhcs.com ISSN: 2175-3423 Acadêmico 4 mercado interno. Segundo Mafalda Zemella (1951), a região mineradora nos seus primórdios foi abastecida, principalmente, pelos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. No entanto, com o declínio da mineração, a partir do final do século XVIII, a importação de produtos caiu. Essa queda ocorreu, não só pela diminuição do ouro e/ou pela migração dos mineiros para outras regiões, mas também pelo aumento da produção de gêneros alimentícios na própria capitania das Minas Gerais. Sendo que, houve um investimento na produção agrícola, de tal forma que a capitania tornou-se auto-suficiente, chegando a exportar sua produção. Contrariando as análises de Cardoso (1979) e Gorender (1988), que afirmam a inexistência de uma acumulação interna de capital, ou seja, os grandes plantadores, criadores de gado e comerciantes não acumulavam bens já que o abastecimento do mercado interno tinha um caráter secundário, sendo apenas um suporte para a agroexportação. Documentos referentes à dona Joaquina do Pompéu demonstram que ela não só acumulou bens, mas que também soube investir os seus rendimentos para obtenção de lucros7 . João L. R. Fragoso (1992) observa que, a produção do mercado interno no período colonial brasileiro permitiu a acumulação devido às relações de produção (escravismo e campesinato) que compunha o mercado. Além disso, o fato da agroexportação se reproduzir no interior do mercado possibilitou uma redução dos custos para os produtores. Com isso, Fragoso afirma que existiu uma acumulação endógena, e que a “retenção de parte do excedente da agroexportação e das produções ligadas ao abastecimento interno” resultou numa “hegemonia do capital mercantil e, conseqüentemente, na constituição de uma elite mercantil colonial” (FRAGOSO, 1992: 28). Salienta-se que, foi ainda no período colonial que se desenvolveu efetivamente um grupo de negociantes responsáveis pela movimentação da economia interna colonial, tanto no período auge da extração aurífera, quanto em seu momento de decadência. Fragoso mostra que a formação de um grupo forte de negociantes não se formou logo após a chegada de Cabral, mas que este grupo foi o resultado de uma sociedade colonial. Se há a formação de uma elite mercantil colonial e sua projeção política ocorre na medida em que seus negócios evoluem, há uma tendência a acreditar que dona Joaquina do Pompéu e sua família faziam parte dela. Colocar a figura de dona Joaquina como objeto de estudo possibilita uma análise ampla do contexto social e econômico do período colonial em Minas Gerais. Por meio dos documentos, dos registros biográficos, das histórias que se contam da matriarca, pode-se estabelecer uma relação com afirmações já feitas por historiadores, tanto no sentido de
7 CAMPOS, 2003, p.159-161; APM. FJBP 1. Cx. 01 – Doc. 49; APM. FJBP 1. Cx. 01 – Doc. 55; APM. FJBP 1. Cx. 02 – Doc.27; APM. FJBP 1. Cx. 02 – Doc.57. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais Volume 1 - Número 2 - Dezembro de 2009 www.rbhcs.com ISSN: 2175-3423 Acadêmico 5 reafirmá-las, quanto no sentido de recolocá-las, de acordo com as considerações decorrentes da análise documental. As questões aqui levantadas não pretendem ser elucidadas com uma única afirmativa, e tampouco definitiva. Pretende-se apresentar perspectivas de análise e possíveis olhares sobre o objeto em um determinado momento. Quando se analisa algumas pesquisas já realizadas sobre o gênero feminino no Brasil, percebe-se o estabelecimento de imagens estigmatizadas e generalizantes, isto ocorre principalmente nas discussões sobre a mulher nos séculos XVI, XVII e XVIII. Pensar sobre o papel social feminino no período colonial, em especial na região de Minas Gerais, remete-nos a uma imagem de que estavam vinculadas ao trabalho essencialmente doméstico, não desempenhando nenhuma outra atividade. A construção desta imagem é, em grande parte, influência da obra Casa-Grande e Senzala, de Gilberto Freyre (2006) 8 , que realiza as primeiras análises sobre a estrutura familiar brasileira. Deve-se lembrar, no entanto, que o autor analisava um contexto específico, onde a organização da sociedade patriarcal determinava a condição da mulher naquele modelo, tão cuidadosamente descrito pelo autor. Contudo, historiadores fizeram uso dos conceitos discutidos por Freyre, empregando-os de maneira ligeiramente distintas e com designações diferenciadas, para legitimarem e reforçarem suas impressões sobre o papel feminino na sociedade brasileira na América Portuguesa. Assim, não se deve atribuir exclusivamente a Freyre a criação, na historiografia brasileira, de uma imagem feminina frágil e preguiçosa, ou sensual e despudorada. A partir da década de 1980, importantes publicações referentes ao período colonial, como as obras de Miriam Leite (1984), Mary Del Priore (1995) e Luciano Figueiredo (1999), começam a romper com essa “não-verdade”. As análises propostas por estes autores demonstram uma nova perspectiva para se estudar a história das mulheres nos Brasil, destacando uma ativa participação delas na sociedade colonial, seja no comércio local das cidades ou na administração de fazendas. Estes historiadores discutem a história das mulheres trazendo elementos que vão além de uma análise exclusiva do núcleo doméstico. Temas como economia, trabalho, maternidade, sexualidade, entre outros, são convergidos para as mulheres, afirmando sua existência como sujeito histórico. E elas passam a ser vistas como agentes históricos, capazes de desempenhar os mais variados papéis na sociedade, independente de sua condição. Alguns trabalhos debatem sobremaneira o universo feminino das escravas e alforriadas, recaindo em segundo plano reflexões sobre relações sociais das mulheres
8 Lançado em 1933, o livro Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freire, pode ser compreendido como um imenso painel da formação da sociedade brasileira. O autor discute os espaços sociais no início da colonização, os modos de existência familiar, o sistema econômico, político e cultural. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais Volume 1 - Número 2 - Dezembro de 2009 www.rbhcs.com ISSN: 2175-3423 Acadêmico 6 brancas da elite da América portuguesa. Quando as discussões ocorrem no sentido de abordar questões comerciais, novamente há o destaque para as negras de tabuleiros e as forras vendeiras. A mulher branca costuma aparecer como o Imbelicitus Sexus9 , ou seja, o sexo imbecil, aquele que não consegue realizar nenhuma atividade racional, sendo sua capacidade limitada a atividades como bordar e costurar. Para contradizer este estereótipo, as mulheres brancas - que por diversos motivos tiveram que sair de uma determinada cidade para irem morar no interior do país; ou aquela que precisou repentinamente acompanhar o marido para o sertão mineiro; ou ainda as viúvas - formam um grupo social diferenciado e começam a estabelecer relações de trabalho diferentes das demais. Sendo assim, o sexo anteriormente estereotipado como imbecil e incapaz, se vê diante da necessidade de conduzir a vida familiar com êxito, já que havia a prole a ser sustentada. “As mulheres dos fazendeiros, freqüentemente quando ficam viúvas, administram sozinhas as fazendas e os escravos, assumindo integralmente as responsabilidades dos maridos” (LEITE, 1984: 57). Neste aspecto, enquadra-se o perfil de dona Joaquina. Dito isto, será esclarecedor analisar a organização da sociedade mineira para que sejam elucidadas as dúvidas em relação à existência ou não de uma sociedade patriarcal nas Minas setecentistas, e como se pode entender dona Joaquina nesta organização. Além disso, é relevante analisar a trajetória da matriarca, pois ela representou uma mulher forte, conseguindo se superar ao mostrar o quanto estava preparada para a função que lhe foi cabida com a enfermidade do seu marido, prontificando-se a assumir funções muito diferentes daquelas estabelecidas para as mulheres de sua época. Dona Joaquina exemplifica a realidade de quantas outras mulheres que também não assumiram fazendas e negócios? Ainda que reportando especificamente os séculos XVI-XVII e o nordeste brasileiro, sabe-se que a estrutura familiar descrita por Freyre (2006), organizada em torno de um núcleo patriarcal, perdurou no Brasil até meados do século XIX. A organização da família em torno de uma figura masculina forte, que zela por todos que vivem sob seu teto, encontrou nos trópicos um local propício para se desenvolver. Tendo como base econômica a agricultura ou a extração mineral, a escravidão como modo de produção, e as regras metropolitanas e eclesiásticas como legisladoras da moral e dos bons costumes, o pai ou patriarca concentrou em si todos os poderes de mandar e desmandar nos seus domínios
9 Expressão usada por Jeannie da Silva de Menezes (2005), ao discutir as representações femininas no século XVIII. De acordo com ela, o sexo imbecil aparece como caracterização da incapacidade feminina e tal noção é ampliada na legislação eclesiástica. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais Volume 1 - Número 2 - Dezembro de 2009 www.rbhcs.com ISSN: 2175-3423 Acadêmico 7 fosse pelo nome de Deus, do Estado e, principalmente, em nome da sua família. De acordo com Freyre, A família, não o indivíduo, nem tampouco o Estado nem nenhuma companhia de comércio, é desde o século XVI o grande fator colonizador no Brasil, a unidade produtiva, o capital que desbrava o solo, instala as fazendas, compra escravos, bois, ferramentas, a força social que se desdobra em política, constituindo-se na aristocracia colonial mais poderosa da América. (FREYRE, 2006: 81). A família patriarcal apresentada pelo autor será responsável por padronizar toda a estrutura familiar que se organizou no Brasil a partir do século XVI. Mas o que dizer dos núcleos familiares estruturados sob a figura feminina? Como incluir dona Joaquina do Pompéu nas relações patriarcais do século XVIII? Segundo Silvia Maria Jardim Brügger (2006), o conceito de patriarcalismo deve ser entendido de forma mais ampla do que simplesmente uma família organizada em torno de um homem. Para a autora, o patriarcalismo está relacionado com a organização social, “um conjunto de valores e práticas que coloca no centro da ação social a família” (BRÜGGER, 2006: 43). Sendo assim, independente da figura central da família ser um homem ou uma mulher, são as relações de poder estabelecidas com a sociedade é que a caracterizarão como patriarcal. Se assim for entendido o conceito de patriarcalismo, o núcleo familiar de dona Joaquina do Pompéu caracteriza-se como tal, já que ela detém poder político e econômico na região da Vila de Pitangui. Além disto, em torno de sua administração organizam-se diversas redes clientelares, constituídas principalmente por laços de parentesco. Como é o caso da sua relação com Conde de Valadares, seu parente e governador da Capitania de Minas Gerais, ou com Diogo Pereira de Vasconcelos, também seu parente e importante português. Em uma esfera mais local, dona Joaquina tem o apoio de seus genros, filhos, cunhados e outros parentes que, ocupando cargos políticos e posição econômica, criavam complexas redes de apoio e solidariedade proporcionando privilégios aos seus. Os documentos analisados apresentam uma dona Joaquina influente politicamente. Um dos registros documentais trata de uma procuração assinada por ela, conferindo poderes a Manoel Ferreira da Silva e a João Evangelista F. Lobato, para que pudessem representá-la em qualquer tipo de ação. Além disso, no documento consta uma solicitação para que fosse enviado à Vila de Pitangui um Juiz de Fora para resolver problemas “jurídicos” da região. Coroliano Ribeiro e Jacinto Guimarães (1956) afirmam que, nos domínios de dona Joaquina, na falta de autoridade legal, era ela em pessoa quem aplicava castigos aos negros, efetuava prisões e inquéritos, perdoava ou indultava. Percebe-se aqui a fragilidade da autoridade do Estado português nos sertões da Colônia defendida por Freyre (2006) e por Caio Prado Júnior (1979), e que legitima a existência de uma sociedade patriarcal baseada nas relações de poder, onde a autoridade esta representada na figura do Revista Brasileira de História & Ciências Sociais Volume 1 - Número 2 - Dezembro de 2009 www.rbhcs.com ISSN: 2175-3423 Acadêmico 8 grande proprietário. Sendo que neste caso específico a autoridade encontra-se vinculada à dona Joaquina do Pompéu. Neste sentido, é relevante considerar o estabelecimento de redes clientelares10 entre dona Joaquina e algumas autoridades políticas da América Portuguesa, a fim de demonstrar a amplitude de sua atuação. Entende-se as redes clientelares como formas de redes de sociabilidade e articulação política e econômica das elites coloniais. Segundo Paulo Jorge Fernandes (2006), estas elites eram formadas pelas pessoas principais das vilas, e faziam parte de uma minoria que detinha o poder e a influência nas esferas econômica, política e social. Outra característica destas redes é o fato de que a influência de uma determinada família freqüentemente era perpassada de geração para geração, ou seja, havia uma tradição familiar na ocupação de membros dessas famílias em cargos políticos importantes. No caso de dona Joaquina do Pompéu, o estabelecimento de redes formadas a partir de laços de amizade e familiares apresenta-se de forma significativa. Dos seus dez filhos, parece que todos se casaram com pessoas de famílias importantes e com destaque político. Infere-se que suas seis filhas se casaram por meio de arranjos familiares estabelecidos pela matriarca com homens de posses. A maioria dos seus genros eram membros da câmara da Vila de Pitangui e possuíam uma tradição familiar, além de possuírem títulos como capitão, coronel e sargento da guarda. Alguns destes homens eram também comerciantes e realizavam negócios com dona Joaquina. Não há elementos conclusivos a respeito da escolha das noivas para seus filhos, mas é possível inferir que a matriarca tenha procurado por moças de famílias respeitáveis e que pudesse ampliar e fortalecer seus laços de amizades com as mesmas. O estabelecimento de redes fortes e duradouras ligadas a articulação política e econômica, é visível quando analisamos o casamento de alguns filhos de dona Joaquina. A formação desta rede clientelar em torno de dona Joaquina do Pompéu pode ser o ponto de partida para analisar e demonstrar como ocorriam suas relações comerciais, e ainda para reafirmar as idéias propostas por Silvia Brügger (2006) sobre o patriarcalismo em Minas Gerais. Neste sentido, entende-se que o poder e a influência atribuídos à matriarca estão ligados a uma herança familiar de prestígio, tanto de sua família quanto do seu esposo. E sua relação com a Coroa demonstra como afirma João Fragoso (2001), que o Estado e as elites locais atuavam em parceria, marcada pelo privilégio e reciprocidade.
10 Para uma discussão mais aprofundada sobre redes clientelares ver Antonio Manuel Hespanha (1984). Poder e instituições na Europa do antigo regime: coletânea de textos. 2. ed. Lisboa: Fundação Gulbenkian; Antônio Manuel Hespanha (coord.). (1993). História de Portugal, v.4: O Antigo Regime. Lisboa: Estampa; Nuno Gonçalo Monteiro. (1993) Os concelhos e as comunidades, in José Mattoso (dir.), História de Portugal, vol. IV, Lisboa, Círculo de Leitores. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais Volume 1 - Número 2 - Dezembro de 2009 www.rbhcs.com ISSN: 2175-3423 Acadêmico 9 A maior parte dos documentos de dona Joaquina analisado são correspondências, e segundo Júnia Furtado (1999), as correspondências comerciais eram essenciais para o desempenho da atividade, mas era também importante para estruturar laços sociais e políticos, ligando os homens por meio de uma rede de favores e dependência: “A distância social entre os membros de uma rede social hierárquica ficava preservada pelo jogo das palavras (...) o que permitia o reconhecimento e a distinção entre eles” (FURTADO, 1999: 59). O valor da amizade e reciprocidade de favores pode ser facilmente mensurado nesta documentação, a amizade costumava ser cobrada em troca de favores e em situações específicas. Segundo Alexandre Mendes Cunha (2006), o clientelismo vai ser marcado por relações de amizade caracterizadas tanto pela reciprocidade entre iguais, como por exemplo, dois grandes comerciantes; ou ainda na relação entre governante e governados, como Dom Pedro I e dona Joaquina do Pompéu. Neste sentido, a “dualidade entre graça e reciprocidade que enredava as pessoas nessa sociedade cria cadeias e espirais que tendem a ter na figura do rei seu topo” (CUNHA, 2006: 241). Característica interessante das relações clientelares é que surge, neste universo de troca de favores, um sentimento de dependência em que seria impossível o pagamento de uma determina dívida, já que as trocas de favores vão sucedendo umas as outras. Além disto, este sistema subordina tanto os governados quanto o governante, uma vez que o rei também fica ligado aos seus súditos por meio de favores prestados. Diante dos documentos analisados para a construção deste artigo, acredita-se que dona Joaquina do Pompéu estabeleceu ao seu redor uma ampla, sólida e organizada rede de amizades. Esta rede proporcionou a matriarca bons negócios dentro da capitania de Minas e no Rio de Janeiro, onde mantinha ligações com comerciantes desta cidade. Sob este aspecto dona Joaquina pôde construir e ampliar sua fortuna tendo o apoio de seus amigos, a quem retribuía também com benefícios. Dona Joaquina, quando se casou foi aos poucos assumindo os negócios do casal, até passar a administrar tudo sozinha. Durante os anos que esteve no comando de suas propriedades, foi responsável pela ampliação de sua fortuna. Mas em contrapartida, dedicou-se também a criação dos filhos e netos. No fim de sua vida é seu filho mais novo, capitão Joaquim Antônio de Oliveira Campos, quem aparece como seu apoio e substituto. Diante disto, percebemos que a matriarca se dividiu entre duas funções: a de fazendeira, e a de mãe. Se por um lado ela pode aparecer na historiografia como uma mulher que fugiu à regra de seu tempo, por outro ela enquadra-se perfeitamente no padrão feminino da América Portuguesa, de mulher dedicada à casa, à família e a Deus. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais Volume 1 - Número 2 - Dezembro de 2009 www.rbhcs.com ISSN: 2175-3423 Acadêmico 10 Percebe-se ainda que, dona Joaquina não desejou para suas filhas o mesmo destino de fazendeira, já que todas se casaram muito cedo e nenhuma delas aparece exercendo qualquer atividade ligada à fazenda ou ao comércio na documentação disponível. Entende- se que neste caso existe um paradoxo nos valores externados pela matriarca. De um lado ela aparece como uma exceção diante da sociedade majoritariamente masculina do século XVIII no que diz respeito às relações comerciais. Por outro, parece que ela teve uma preocupação para que suas filhas não seguissem o seu caminho, mas que cumprissem sua função dentro da sociedade setecentista, de mulheres recatadas e ligadas ao cotidiano doméstico. Neste sentido, é importante retomar a discussão sobre a sociedade patriarcal, pois a idéia de patriarcalismo, como sugere Silvia Brügger (2006), deve ser entendida “pelo termo e não apenas a configuração dos domicílios, mas sim um universo de valores, calcado, sobretudo na importância dos laços familiares” (BRUGGER, 2006: 53). Sendo assim, dona Joaquina do Pompéu viveu e sobreviveu inserida em uma sociedade patriarcal, na qual ela exerceu a posição de chefe, o representante da família. Era ela o núcleo e, por ser a grande responsável, sua obrigação era manter as tradições e os bons costumes portugueses na colônia, o que ajuda a explicar seu comportamento diante da educação das filhas. A existência destas redes clientelares, associada à força e influência política da matriarca, só reforçam a existência de uma organização social sob a forma do patriarcalismo nos domínios de dona Joaquina. Neste caso, o patriarcalismo não se refere ao indivíduo do sexo masculino como peça central da organização familiar. Levando em consideração todas as discussões levantadas ao longo da pesquisa, o patriarcalismo é entendido aqui como um conjunto de valores e práticas familiares, ligados a outros elementos como a presença de redes de amizade, influência política, econômica e social. Dona Joaquina enquadra-se neste perfil, pois construiu sua vida em torno destas práticas, e com isto entendeu-se que a matriarca, na verdade, não rompeu com a sociedade patriarcal existente nas Minas Gerais, ela apenas mudou um de seus elementos. A figura e atuação de Joaquina do Pompéu ainda não foi de todo esclarecida. Vários momentos de sua vida continuam guardados nas entrelinhas da história a espera de historiadores que possam revelá-las. Assim também a história de Minas Gerais no século XVIII/XIX, apesar de amplamente estudada, ainda pode surpreender. Com a elaboração desta pesquisa pretendeu-se, de certa forma, contribuir para a construção da história de Minas Gerais nos setecentos, e demonstrar que existem muitas possibilidades de estudo. Dona Joaquina do Pompéu é só uma, entre tantos sujeitos-agentes históricos que podem revelar importantes informações sobre o passado colonial brasileiro.
Revista Brasileira de História & Ciências Sociais Volume 1 - Número 2 - Dezembro de 2009 www.rbhcs.com ISSN: 2175-3423 Acadêmico 11 FONTES E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FONTES MANUSCRITAS
Arquivo Público Mineiro – Documentação de Origem Privada:
Família Joaquina Bernarda de Pompéu. Código: FJBP 1 – Cx. 01 [série: Família Joaquina Bernarda do Pompéu]. Família Joaquina Bernarda de Pompéu. Código: FJBP 1 – Cx. 02. [série: Família Cordeiro Valadares]. Família Joaquina Bernarda de Pompéu. Código: FJBP 1 – Cx. 03. [série: Família Oliveira Campos]. Família Joaquina Bernarda de Pompéu. Código: FJBP 1 – Cx. 04. [série: Escrituras, certidões e outros documentos; Diversos].
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Recebido em setembro de 2009 Aprovado em novembro de 2009 | |
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| | Publicado por: Juliana Campos Maciel
em 23 de Maio de 2011 06:24 | BLOG DO MYHERITAGE: http://blog.myheritage.com.br/ O Museu do Imigrante tem um novo projeto. Para quem conhece o Museu do Futebol e o Museu da Língua Portuguesa, o novo projeto do Museu do Imigrante de São Paulo acompanha a modernidade deste dois e a interatividade necessária para tornar uma visita ao museu uma aventura pela imaginação. Temos que reconhecer que em muitos casos, o modelo tradicional é eficiente e eu não troco por nenhum outro, mas em alguns casos é necessário que se coloque algo novo para que os mais jovens possam encontrar encanto e participarem de suas visitas com mais interesse. Acredito, que se estamos falando do "novo", não podemos esquecer que esta era a meta de todos os imigrantes que aportaram no Brasil. Eles, nossos antepassados, queriam o "novo" como ponto de partida para uma nova vida, acredito que você também vai gostar e espero poder entrar novamente por aquelas portas e participar de novas emoções. Gostei muito das ideias e compartilho com todos o vídeo enviado pela nossa leitora, historiadora e blogueira Maria Lucia Bernadini que muito material genealógico tem enviado para o nosso blog. O vídeo foi postado no dia 28 de abril no YouTube, veja as novas propostas para o museu. Abaixo nós colocamos links para alguns dos acervos históricos de imigrantes de alguns estados brasileiros. Gostaríamos de sua ajuda caso você tenha endereços que levem a outros acervos que possam servir a pesquisadores brasileiros e estrangeiros. Coloque no comentário desta postagem ou mande um email e iremos construir uma seção só com este tema.      
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| | Publicado por: Juliana Campos Maciel
em 23 de Maio de 2011 05:13 | Aqui, transcrevo sobre a obra do primo Deusdedit Pinto Ribeiro de Campos. Obra esta composta por 3 volumes (mas já está a trabalhar p o lançamento do 4º volume). Livro de genealogia mais atual que conheço é o DONA JOAQUINA DO POMPÉU - SUA HISTÓRIA SUA GENTE (autor: Deusdedit Pinto Ribeiro de Campos/Belo Horizonte/Ano: 2003). Este autor é filho do falecido Dr. Coriolano Pinto Ribeiro, que pesquisou a genealogia de Dona Joaquina nas décadas de 30/40/50 (durante 23 anos) e tendo lançado um livro. Tvz esse seja o 1º e o que muitos tenham. O do Dr. Deusdedit é o segundo q tenho conhecimento. GENEALOGIA DE DONA JOAQUINA DO POMPÉU - TEM COMO LEMA "SÓ SABE PARA ONDE VAI, AQUELE QUE SABE DE ONDE VEIO..." (DEUSDEDIT PINTO RIBEIRO DE CAMPOS) O livro fala de várias famílias que se ligaram à família de Dona Joaquina e de seu marido Inácio de Oliveira Campos. São elas: Os CAMPOS, CAMPOS CORDEIROS, VALADARES, CORDEIRO VALADARES, ÁLVARES DA SILVA, SILVA CAMPOS, VASCONCELOS, MASCARENHAS, CAPANEMAS, LOBATO, MACIEIS, VIEIRAS MACHADOS, LOPES CANÇADOS, FERNANDES VIE...IRAS, CARNEIROS DE MENDONÇAS, ADJUCTOS, BOTELHOS, MELOS FRANCOS, entre outros. A segunda parte /TOMO I e II) conta: SUA GENTE - É apresentado a descendência dos 9 filhos de D. Joaquina e seu marido, o Capitão Inácio de Oliveira Campos. O 10º filho (JORGE), n teve descendência e até o momento não há dados, sobre onde teriam ele e sua espôsa, vivido e falecido. "Sabemos que a relação dos descendentes de Dona Joaquina ainda n ficou completa e muitos enganos ainda existem. Muitos descendentes colaboraram desde a primeira hora. Entretanto, muitos, também não nos responderam ... Usamos em nosso trabalho, p encontrar descendentes, as listas Telefônicas de MG e todo o Brasil, o C. ...Postal Brasileiro, Sist. Fax, Secr. Eletrônica e o auxílio da Internet. nos seguintes endereços: campos@mkm.com.br e genealog@mkm.com.br" (O autor: Dr. Deusdedit pinto Ribeiro de Campos). "Realizamos pesquisas na Biblioteca Pública do Estado de MG, no Arquivo Público Mineiro, no Arquivo de Sabará e no Arquivo da Cúria de Mariana. Contamos ainda com o auxílio dos Centros da História da Família (CFH) da Igreja Mórmon. Participamos da Central de Genealogia Brasileira, um Portal de Genealogia,... encontrado na internet, onde obtivemos muitas informações interessantes. ... Encontramos tb, muitas informações no CD-Rom do Dicionário das FAMÍLIAS BRASILEIRAS, de Bueno da Silveira-Barata, em q constam cerca de 17.000 famílias e suas origens" (O autor:Dr. Deusdedit Pinto Ribeiro de Campos). Muitos contribuíram e ainda contribuem para as atualizações. Cito aqui algumas q foram citadas pelo autor em seu livro, sendo elas tb descendentes de Dona Joaquina do Pompéu: Carmem de Campos Ribeiro (mãe do autor), Dr. Carlos Heloy Carvalho Guimarães (ex-presidente da CEMIG), Dr. Saulo Coelho (presidente da TELEMIG, n...a época), Padre Pedro Maciel Vidigal (ex-Deputado Federal), Sr. Francisco Régis Lobato (Famílias Lobato/Capanema), Maria Auxiliadora Andrade e professora Gilda de Castro Rodrigues, de Belo Horizonte. Professora Ana Loreiro Gomes (Paracatu)Arnaldo Pimentel (escritor/Brasilia), Dr. Arnaldo Salazar Pessoa (Washington/EUA). Dr José Luiz Álvares da Silva (engenheiro/Pitangui), Natália Fortes Álvares da Silva (BH), Dr. Moysés Vilaça (SP), Dr. Mélin Kepke (Cirurgião plástico/SP/descendência do Dr. Eduardo da Silva Porto, que foi um dos fundadores da UNICAMP), Deusdedit Campos Machado (Fazendeiro/Pompéu) e muitos outros. A obra do Dr. Deusdedit Pinto Ribeiro de Campos é composta de 3 volumes (até o momento), mas sabe-se que está trabalhando p a publicação do quarto volume. Por isso é de extrema importância correções/atualizações de informações por parte dos descendentes de Dona Joaquina do Pompéu e de seu marido Inácio de Oliveira Camp...os. Peço à todos q divulguem à outras pessoas. Obrigada. "As únicas estrelas dos filhos são Pai e Mãe" (Dona Joaquina do Pompéu) (livro do Dr. Deusdedit P. Ribeiro de Campos). Obra do Dr. Deusdedit - 1º livro: "O começo de tudo"..."podemos, seguramente, afirmar que a origem de nossa família remonta a Pedro Álvares Cabral e até muito antes. Mas tomemos Pedro Álvares Cabral para começo..." .
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| | Publicado por: Juliana Campos Maciel
em 18 de Maio de 2011 18:34 | Á procura de informações no GOOGLE sobre esse ascendente de minha filha, encontrei essa matéria, falando sobre CORONEL JORGE LUIZ DAVIS, DA Empresa de luz em MG. | |
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